Encontro Mensal para alunos Mais que Músculo de Março

Um dos grandestemas da nossa conversa foi como dar feedback sem que o aluno sinta que estamos atacando a identidade dele, indo ao encontro daquilo que vemos no curso em tentar sermos agentes de uma mudança positiva pra fazer com que o exercício seja uma forma de preenchimento de necessidades psicológicas básicas.
Foi trazido um relato de caso de uma aluna fisioterapeuta com ligação forte com a posturologia e com crenças pessoais que afetavam a forma com a qual ela lidava com a sobrecarga progressiva no treino.
Não somos o nosso trabalho
Já vimos um pouco no curso e vamos ver mais ferramentas da DBT (terapia comportamental dialética) pra nos auxiliar tanto em questões relacionadas a quem nós atendemos quanto com a nossa relação com o trabalho. Porque uma das coisas mais importantes a se fazer em situações como essa é praticar a desfusão da nossa identidade pessoal com a profissional. O trabalho é só uma parte da nossa vida (ainda que tome muito tempo e seja uma das maiores dela, se não a maior), e saber separar as coisas nos ajuda a lidar melhor de maneira lógica e também com os sentimentos que vem em relação a situações difíceis que vivemos.
Por que um aluno sente o que sente?
O segundo passo é tentarmos entender por que um feedback pode ser entendido com um “ataque” ou uma crítica pelo aluno porque isso nos coloca em uma posição mais compassiva e preparada pra lidar com a situação.
E é bem fácil chegarmos a conclusão juntos de que ninguém vai pra academia querendo ouvir que está fazendo algo errado. O ato de se exercitar já é custoso pra pessoa e, dado o investimento de tempo, disposição e energia, é compreensível que situações negativas nesse ambiente tenham um peso maior. Se considerarmos o contexto de consultoria on-line onde, além de tudo que já é despendido no exercício, o aluno também precisa se dispor e se organizar pra gravar vídeos de execução, preencher listas, planilhas e formulários sozinho, uma comunicação negativa pode afetar ainda mais a relação dele com o serviço e até o próprio exercício físico.
O exercício faz interface com a identidade corporal da pessoa - e pode ir além, como no relato de caso da aluna profissional do movimento que também tinha uma parte da identidade profissional atrelada a ele - e muitas pessoas têm inseguranças com o corpo que podem ser amplificadas pelas pressões revolvendo o exercício físico e as estratégias que ela usa pra se manter ativa.
Assim, correções podem ativar sentimentos de vergonha (“Sou ruim nisso”), incompetência (“não consigo fazer nada direito”), humilhação (“será que estão me olhando?”), resistência (“eu sempre fiz assim”) e outros tantos. Ou seja, o feedback técnico ativa emoções pessoais. Em outras palavras, a reação do aluno nem sempre vai ser sobre o feedback em si ou sobre o profissional. Por vezes, é sobre a história emocional daquele aluno.
Quando o aluno reage mal
Algumas reações comuns pra quem lida com pessoas tanto na vida real como no atendimento assíncrono:
- Ficar emburrado
- Cessar interações e conversas
- Ironizar
- Se fechar
- Dizer que outros profissionais nunca reclamaram
- Não responder mais nos apps de mensagem
- Deixar de preencher planilhas e formulários
Em qualquer uma dessas situações é importantíssimo
- Não entrar em confronto
- Não levar para o pessoal
- Reafirmar a responsabilidade técnica
E, quando possível, até se resguardar de maneira formal e burocrática com contratos e deixando explícita a importância da conformidade com as necessidades do trabalho do profissional.
O papel do profissional
É fundamental que o profissional tenha consciência de que o trabalho dele não é uma mera opinião. É uma responsabilidade técnica. É uma forma de cuidado. É acolhimento.
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